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O QUE ELE NÃO CONSEGUIU DIZER

Depoimento sobre a partida do Zózimo. Reproduzo, emocionado, o depoimento de Paulo Marinho, um de seus melhores amigos, publicado no jornal O Globo, poucos dias depois de sua morte. Um depoimento que não fiz por vários amigos que perdi, inclusive, dois avós. Bom, leiam com a máxima atenção, o que se entitulou:

"Decidi escrever este depoimento no início desta semana, logo após desligar o telefonema no qual recebi a notícia de que Zózimo já não tinha mais chances de sobreviver ao câncer de pulmão descoberto dois meses antes (setembro/97). Fui o último amigo a desfrutar de sua companhia ainda com um resto de saúde e esperança. Levava-o de cadeira de rodas pelas ruas de Miami, onde o sol lhe dava pretexto para desfilar uma antiga e desconhecida coleção pessoal de chapéus. Ele preferia um caricato modelo Indiana Jones e  a despeito do cansaço e da calvície ampliados pela quimioterapia, fingia incorporar o pirotécnico personagem de Hollywood para divertir quem se aproximava. Antes do câncer cruzar o seu caminho, Zózimo lutou como poucos para superar o alcoolismo. Sua última grande batalha contra esta doença foi a internação numa clínica especializada em 1996, seguida da corajosa decisão de ingressar nos Alcoólicos Anônimos. A cura chegara e ele se sentia feliz por tê-la conquistado. Mas não bastou. Há três meses, durante um jantar, Zózimo estava pálido e com forte dor de cabeça. Dois dias depois, o diagnóstico apontava para câncer de pulmão com metástases (disseminação) em vários órgãos. Daí em diante, salvo a primeira fase de tratamento nos EUA, quando chegou a ganhar peso, todos os embates no Hospital Mount Sinai resultaram em derrotas irreversíveis. Durante nossa última caminhada, Zózimo me revelou que sentia uma grande tristeza por não saber se viveria até o ano 2000. Aquele objetivo parecia bastar-lhe e tornou-se uma meta recorrente em suas conversas. Mas sua queixa mais sentida era quanto à fraqueza que o impedia de voltar a escrever, pois estava imbuído da missão de contar às pessoas sobre o mal que o cigarro lhe causara. Queria iniciar uma campanha contra o tabagismo, com todas as forças que lhe restassem. Zózimo fumou durante quase 40 anos. Sofreu como sofrem todos os que se arrependem tarde demais. A morte combinada entre o câncer de pulmão e o enfisema pulmonar, como a dele, é simplesmente monstruosa. Digo-o, como alguém que acaba de testemunhar o fim de um irmão querido. E, com o sentimento de estar tornando público o protesto que o destino não lhe deu tempo de fazer. Zózimo morreu vítima do cigarro, um flagelo ao mesmo tempo capaz de corromper o primeiro-ministro da Inglaterra e de produzir mais vítimas fatais do que todas as guerras. Tenho esperança de que algum dia os nossos governantes tomem decisões efetivas para impedir a continuação desse massacre. Era isso, acredito firmemente, o que Zózimo pretendia dizer se não partisse tão cedo. ( Escrito pelo empresário Paulo Marinho ).

Em 22 de novembro de 1997, data que já podemos considerar como histórica, no meio anti-fumo, os Sindicatos de atores, diretores e produtores de cinema de Hollywood (Los Angeles, EUA), entraram na justiça contra as indústrias de cigarro, pedindo indenização pelos prejuízos causados a todos os trabalhadores da poderosa indústria cinematográfica americana. A utilização do cinema, como influência para a juventude começar a fumar, pode ser constatada por uma revelação recente (segundo o jornal O Globo - 9/12/97), de que o ator Sylvester Stallone, recebera, em 1983, 500 mil dólares da indústria de cigarro Brown & Williamson, para fumar cigarros da empresa em, pelo menos, cinco de seus filmes. http://www.cigarro.med.br/cap33.htm

 

A vítima tem 13 anos

·          Essa é a idade em que os jovens brasileiros começam a fumar, segundo pesquisa inédita feita sobre o assunto.

·          Ministério da Saúde patrocinou na última década diversas campanhas de  Orientação: contra as drogas, o consumo de álcool e de prevenção ao vírus da Aids. Essas propagandas de conscientização, em geral voltadas ao jovem, público mais sujeito a vícios e doenças, são vitais como instrumento de alerta à sociedade. Uma pesquisa recente preparada pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro sugere que talvez se deva adicionar um novo tema à lista de campanhas do governo: o tabagismo na adolescência. O levantamento, feito em um grupo de 800 fumantes em quatro capitais, mostra que os brasileiros começam a fumar cedo: aos 13 anos, em média. A pesquisa ganha contornos mais graves Quando examinada em conjunto com outros trabalhos científicos. Quem começa a fumar na adolescência terá mais dificuldade de largar o cigarro no futuro do que aquele que o fez pela primeira vez depois de adulto. E mais: quando larga o cigarro, o fumante que usa o tabaco desde a juventude demora mais tempo para se recuperar dos efeitos da nicotina do que aquele que se viciou na fase adulta – ainda que o segundo tenha fumado durante mais tempo que o primeiro.
A maior parte dos não fumantes já ouviu de um avô ou tio comentário a respeito da idade que tinham ao fumar pela primeira vez. Eram em geral muito jovens. Os fumantes nem precisam recorrer aos parentes. Recordam-se da própria experiência, ocorrida quase sempre nessa fase da vida, por volta dos 13 ou 14 anos. O trabalho da Santa Casa do Rio é especial por ser o primeiro a levantar o ano da iniciação no mundo da fumaça no Brasil. De acordo com o critério adotado na pesquisa, fumar não significa dar uma tragada no cigarro do amigo. Fumar é consumir cigarros regularmente. Segundo os especialistas, depois de seis meses fumando todo dia, o adolescente está quimicamente dependente do cigarro. Os pesquisadores da Santa Casa esperam agora conscientizar entidades não governamentais e principalmente Brasília da necessidade de contra-atacar. "Sabendo Quantos anos tem o novo fumante, o governo pode elaborar campanhas de prevenção apropriadas a essa faixa de idade", diz a coordenadora da pesquisa da Santa Casa do Rio, a psiquiatra Analice Gigliotti.

·          Para a ciência, o adolescente que fuma meio maço de cigarros por dia e o adulto que traga igual quantidade não formam o mesmo grupo de viciados. A Organização Mundial de Saúde, OMS, possui alguns estudos que apresentam com clareza o impacto do cigarro sobre jovens. De acordo com essas pesquisas, 99% dos adolescentes que dão as primeiras tragadas se tornam fumantes. O número fica ainda mais espantoso se comparado com dois outros vícios. Entre os jovens que fumam maconha, a metade acaba se viciando. Com álcool, a dependência é ainda menor: 12% dos que bebem na adolescência passam a ser alcoólatras.

Um dos trabalhos mais impressionantes comparando o vício entre jovens e adultos foi preparado sob encomenda da OMS. Ele mostra que um adolescente demora até sete anos para se livrar dos efeitos da nicotina. "Já uma pessoa que começa a fumar aos 30 anos consegue 'limpar' seu cérebro da nicotina em seis meses de abstinência", afirma o psiquiatra Jorge Alberto Costa e Silva, diretor do Centro Internacional de Política de Saúde da OMS. As razões dessa diferença estão sendo investigadas. Começar a fumar é fácil. Difícil é parar. De cada grupo de dez fumantes, seis tentaram parar, segundo a pesquisa da Santa Casa. A média de tentativas é de três a quatro na vida, mas os resultados são desencorajadores. As estatísticas mundiais afirmam que apenas 3% dos fumantes conseguem abandonar o cigarro de vez.

Curiosidade e ritual – O fumo na adolescência é uma preocupação mundial, não um problema brasileiro. A diferença é o tratamento que os diversos países dão ao assunto. Alguns deles patrocinam ações firmes de combate ao tabagismo entre os jovens. Nos Estados Unidos, o governo mantém uma campanha cujos termos lembram as propagandas antidroga. Intitulada "Aprenda a dizer não" e dirigida aos estudantes, conseguiu em apenas dois anos reduzir o índice de experimentação de cigarro de 64% para 55% entre jovens. É um número muito expressivo. No Canadá, onde 29% dos adolescentes são fumantes, o governo propôs uma mudança radical nos tradicionais avisos que são impressos nos maços. O governo canadense quer convencer as fábricas de cigarro a substituir os alertas pouco convincentes do tipo "Fumar faz mal à saúde" por fotografias horríveis com dizeres ainda mais horríveis. Dois modelos dos novos avisos podem ser vistos nesta página. Infelizmente o Brasil integra outro grupo de países: aqueles que não dão a devida atenção ao assunto. "Se aos 13 anos os brasileiros já fumam regularmente, é claro que não adianta somente escrever aquele alertazinho no maço de cigarros", afirma Analice Gigliotti, da Santa Casa. "É preciso fazer pesquisas mais aprofundadas sobre o tabagismo entre os jovens." O Ministério da Saúde informa que vai encomendar uma pesquisa ampla sobre cigarro para então decidir o que fazer. A pesquisa ainda está sem data.
O número de jovens que experimentam o cigarro vem crescendo a olhos vistos. De acordo com um trabalho realizado de 1993 a 1997 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo, o porcentual de adolescentes de 13 a 15 anos que já havia fumado algum cigarro na vida subiu de 24% para 32%. Um toxicologista da Universidade Estadual Paulista, Igor Vassilieff, distribuiu um questionário entre adolescentes para listar as razões que levam o jovem ao vício de fumar. As respostas encontradas nos questionários mostram que o cigarro está associado ao processo de formação da identidade desses jovens. "Alguns fumam por curiosidade, outros por acreditar que o tabaco não pode fazer tanto mal assim", diz Vassilieff. "Em qualquer um dos casos é um ritual de entrada na adolescência." Adolescentes fumantes dão as primeiras tragadas com amigos, passam a fumar à noite, durante festas, e em poucos meses estão comprando um maço na padaria ou no bar. No Brasil, uma em cada três pessoas com mais de 16 anos fuma mais de um cigarro por dia.
As conseqüências são dramáticas para o jovem em particular e para a saúde pública em geral. Estudo do Instituto Nacional do Câncer afirma que eram fumantes:

·        25% das vítimas fatais de doença coronariana e cerebrovascular;

·        85% dos mortos por doenças pulmonares, como a bronquite e o enfisema;

·        90% das pessoas que morreram por câncer no pulmão.

Em números, isso significa que o cigarro tem relação com cerca de 100.000 mortes por ano no Brasil. São onze mortes por hora, três vezes mais que os óbitos registrados no trânsito e mais que o dobro do número de assassinatos num ano. VEJA enviou dados da pesquisa da Santa Casa para que fossem comentados pelas companhias Souza Cruz e Philip Morris. As empresas não os desmentiram, mas as assessorias de imprensa informaram por fax que optariam pelo silêncio. -http://www.naofume.saopaulo.net/

 

O Fumo e a Gravidez

Fumar durante a gravidez traz sérios riscos. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia (sangramento) ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma. A gestante que fuma apresenta mais complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma. Tais agravos são devidos, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno.

Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante.

Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem somente do hábito de fumar da mãe. Quando a gestante é obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que pelo sangue passa para o feto. Quando a mãe fuma durante a amamentação, a nicotina passa pelo leite e é absorvida pela criança.  http://www.inca.org.br/prevencao/tabagismo/tabgravid.html,

 

Efeitos da Fumaça sobre a Saúde da Criança

Se a mãe fuma depois que o bebê nasce, este sofre imediatamente os efeitos do cigarro. Durante o aleitamento, a criança recebe nicotina através do leite materno, havendo registro de intoxicações atribuíveis à nicotina (agitação, vômitos, diarréia e taquicardia) em filhos de mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia. Em recém-nascidos, filhos de mães fumantes de 40 a 60 cigarros por dia, observou-se acidentes mais graves como palidez, cianose, taquicardia e crises de parada respiratória, logo após a mamada.

Estudos mostram que crianças com sete anos de idade, nascidas de mães que fumaram 10 ou mais cigarros por dia durante a gestação, apresentam atraso no aprendizado quando comparadas a outras crianças: observou-se atraso de três meses para a habilidade geral, de quatro meses para a leitura e cinco meses para a matemática.

Há também uma maior prevalência de problemas respiratórios (bronquite, pneumonia, bronquiolite) em crianças de zero a um ano de idade que vivem com fumantes, em relação àquelas cujos familiares não fumam. Observa-se que, quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias, chegando a 50% nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa.

É, portanto, fundamental que os adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que não as transformem em fumantes passivos.

Fonte: Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Coordenação Nacional de Controle de Tabagismo e prevenção primária - CONTAPP. "Falando Sobre Tabagismo". Rio de Janeiro, 1996.

 

ESTATÍSTICAS MUNDIAIS

Existem 1,1 bilhão de fumantes no mundo consumindo cerca de 6 trilhões de cigarros por ano. No Brasil existem 30,6 milhões de fumantes acima dos 15 anos de idade. A cada ano 3 milhões de pessoas morrem em todo o mundo em decorrência de doenças associadas ao fumo. No Brasil morrem 100 mil pessoas por ano de doenças relacionadas diretamente ao fumo. São de 8 a 10 pessoas por hora. 1/3 dos homens e 1/4 das mulheres acima de 15 anos no Brasil são fumantes. 70% adquirem o hábito de fumar entre os 14 e 17 anos. Dos 35 aos 69 anos, 1/3 das mortes no mundo é relacionado ao fumo, que rouba em média de 7 a 10 anos de vida dos fumantes.

90% dos casos de câncer do pulmão estão associados ao fumo, 30% de todos os outros cânceres, 85% das doenças pulmonares obstrutivas (enfisema e bronquite) e 50% das doenças cardiovasculares. A probabilidade dos fumantes se tornarem sexualmente impotentes é duas vezes maior do que nos homens que não fumam.
Das 4.720 substâncias contidas no cigarro cerca de 60 a 70 são cancerígenas. O fumante passivo tem um risco 30% maior de morrer por doença cardiovascular ou câncer de pulmão do que quem não está exposto diariamente à fumaça dos cigarros Nas fumantes a menopausa se antecipa cerca de 5 anos.

A nicotina é a grande responsável pela sensação de impacto eufórico que se segue a uma tragada. Bastam de 7 a 8 segundos para o fumante sentir seus efeitos estimulantes. A quantidade de nicotina de apenas um cigarro é suficiente para matar uma pessoa se for injetada na veia.

Os teores de nicotina nos cigarros brasileiros são de duas a três vezes mais do que o necessário para gerar dependência.

Os números internacionais informam que o consumo do cigarro está caindo nos países do hemisfério norte, a uma proporção de 1,5% ao ano, e subindo, na mesma proporção no hemisfério sul. Os números internacionais informam que o consumo do cigarro está caindo nos países do hemisfério norte, a uma proporção de 1,5% ao ano, e subindo, na mesma proporção no hemisfério sul.

Fonte: (Pesquisa realizada em 4.462 pessoas entre 31 e 49 anos, pelo Depto. de Urologia do Centro Médico Universidade de Boston).

 

MORTALIDADE PELO TABAGISMO

Da Organização Mundial da Saúde (OMS) - MORTALIDADE PELO TABAGISMO. Em 1998, 3 milhões de pessoas morreram , no mundo, por causa do tabaco; 2 milhões no primeiro-mundo e 1 milhão no terceiro. Em 2020, a OMS estima que morrerão 10 milhões de pessoas: 3 milhões de pessoas no primeiro e 7 milhões no dito terceiro-mundo. Em parte, cabe-nos tentar alterar este destino catastrófico que se anuncia. Nada há que justifique este crescimento da mortalidade entre nós, os da Banana Republic, a não ser a nossa própria ignorância. Vamos todos acordar, pois, gigante adormecido é apenas uma força de expressão em nosso Hino Nacional.