PORQUE PARAR DE FUMAR
"Bryan Curtis começou a fumar aos 13 anos, jamais
imaginando que, 20 anos mais tarde, um câncer de pulmão iria matá-lo e deixar
uma esposa e uma criança sozinhas. Em suas últimas semanas, ele expôs-se como
uma mensagem para os jovens", diz a matéria da jornalista Sue Landry, do
St. Petersburg Times, entitulada "ELE QUERIA QUE VOCÊ SOUBESSE". Veja
algumas de suas fotos que foram
publicadas como o seu último pedido.
Três cenas dramáticas que nunca se apagaram da minha mente
Existem certas situações na vida de qualquer um de nós, em que um
acontecimento fica para sempre gravado na memória. Vira e mexe, eles voltam.
Acredito que todos os médicos tenham uma ou mais cenas que viveram
em suas vidas profissionais que deixaram marca.
Eu tenho três, sendo que a primeira nada tem a ver com cigarros.
Estava de plantão, ainda acadêmico de medicina, no Hospital Salgado Filho (RJ),
quando chegou um rapaz, já falecido, carregado por familiares. Ele havia
acabado de ganhar uma motocicleta nova, de 1000 cilindradas, muito mais potente
do que qualquer outra que já tivera antes. Logo que recebeu a moto, foi se
exibir para a noiva, que morava a poucas quadras de distância. Toda a família
da noiva se debruçou na sacada do sobrado para assistir a sua estréia numa
"mil cilindradas". O garoto empinou a moto em excesso e, ela acabou
tombando sobre ele, matando-o na hora. O desespero do pai, que tinha sido quem
lhe dera a motocicleta, foi algo que jamais esquecerei em minha vida.
A
segunda cena está relacionada com cigarros, e também está arquivada em algum
lugar do meu cérebro. De vez em quando a vejo. Volto um pouquinho no tempo,
para situar vocês melhor: tratava há alguns anos de um paciente que tinha um
enfisema pulmonar muito avançado. Passei com ele por várias internações e, o
via regularmente em consultório. A cada ano, seu estado era mais grave e, não
obstante, não conseguia de forma alguma abandonar o cigarro, o que em muito prejudicava
o tratamento. Numa manhã de domingo, sou chamado por seu filho para constatar o
que lhe parecia a morte de seu pai. Munido de um atestado de óbito (aquele
formulário que os médicos usam para declarar do que faleceu o paciente),
dirigi-me à residência do paciente. Lá chegando me deparei com a cena tétrica,
do paciente (que havia sido encontrado morto, por seu motorista, sentado no
vaso sanitário) rodeado, sem qualquer exagero, por mais ou menos umas duzentas
guimbas de cigarros queimadas. Todo o seu quarto e o banheiro, aonde foi
encontrado, estava coalhado de guimbas e cinzas. Pude pela primeira vez atestar
um caso de "overdose" de nicotina. Pela inclinação do paciente,
desapegado da vida como estava, me pergunto se não provocou intencionalmente a sua
própria morte. Ele, pessoalmente, acendeu mais de duzentos cigarros seguidos.
A terceira cena é bem recente, de junho de 1999, e me chocou por
todo o contexto que inclui, uma doença evitável (bastando não fumar), uma
criança pequena e o curso rápido entre o diagnóstico e a morte. Um rapaz
americano, de nome Bryan, com apenas 33 anos, descobre ter Câncer de pulmão, em
Abril de 1999 e, em 3 de Junho deste mesmo ano, vira história. A história do
Tabagismo. Munido das últimas forças restantes, pede que seja fotografado e que
seu holocausto possa ser mostrado aos jovens, como um exemplo, do que deve ser
evitado a qualquer custo. A versão completa do acontecido foi publicada no
jornal local, Saint Petersburg Times.
J. Alexandre.
Você coloca em risco aqueles que estão perto de você!
Os filhos de fumantes adoecem
duas vezes mais que os filhos de não-fumantes e têm chances de começar a fumar,
seguindo o exemplo dos pais;
A fumante grávida tem bebês com baixo peso e menor tamanho e com maior chance
de apresentar efeitos congênitos;
A fumaça do cigarro é o
poluidor do ar mais constante e prejudicial à saúde que se conhece, pois as
pessoas passam 80% do seu tempo em ambientes fechados;
Qualquer pessoa que permaneça nesses ambientes poluídos pode ter irritação nos
olhos, garganta e nariz, dor de cabeça e tosse, além de maior chance de ter
câncer.
Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. COORDENAÇÃO DE PROGRAMAS DE CONTROLE DO
CÂNCER."O Problema do Câncer no Brasil", quarta edição revisada e
atualizada. Rio de Janeiro, 1997.
DICAS PARA FUGIR DAS ARMADILHAS E NÃO VOLTAR A FUMAR.
* beba muita água (vários copos
por dia);
* mastigue balas ou chicletes
dietéticos;
* faça caminhadas;
* faça
exercícios de relaxamento (respire profundamente e procure relaxar os músculos
do corpo);
* evite tomar café e bebidas
alcoólicas;
* escove os dentes
imediatamente após as refeições;
* fique atento às situações de
estresse, o cigarro não resolverá seus problemas;
* comece um novo esporte,
aprenda a dançar, passeie de bicicleta;
* modifique seus
hábitos antigos, procure novas atividades e alternativas para o seu lazer.
Se você não conseguir parar de fumar
desta vez, NÃO DESANIME!
A recaída não deve ser vista como fracasso. Tente novamente.
Se sentir muita dificuldade procure orientação médica. Somente um
profissional poderá avaliar a possibilidade de utilização de outros métodos,
como a reposição de nicotina.
Alguns indivíduos quando param de fumar
apresentam alterações físicas - ansiedade, dificuldade de concentração,
irritabilidade, desejo incontrolável de fumar ("fissura"), entre
outras, isto é chamado síndrome de
abstinência. A maioria desses sintomas se inicia algumas horas após parar
de fumar e atinge intensidade máxima dentro de 24 a 48 horas, diminuindo
gradativamente, durante um período de até duas semanas.