Porque fumamos?
As
pessoas começam a fumar principalmente influenciadas pela publicidade maciça do
cigarro nos meios de comunicação de massa. Pais, professores, ídolos e amigos
também exercem uma grande influência. A publicidade sabe aliar as demandas sociais
e as fantasias dos diferentes grupos (adolescentes, mulheres, faixas
economicamente mais pobres etc.) ao uso do cigarro, fazendo crer que, ao fumar,
esses desejos serão realizados, aumentando o consumo do tabaco entre as pessoas
mais facilmente influenciáveis. A publicidade direta é feita por anúncios
atraentes e bem produzidos; já a publicidade indireta é feita através dos
ídolos e modelos de comportamento em geral.
Noventa por cento dos fumantes
iniciaram seu consumo antes dos 19 anos de idade, faixa em que o indivíduo
ainda se encontra na fase de construção de sua personalidade. O número
constante, ou mesmo crescente, de adesões ao tabagismo contribui para que a
indústria do cigarro seja altamente lucrativa, investindo constantemente em
publicidade, a fim de atrair mais pessoas. Existem fumantes que morrem, grande
parte em decorrência das doenças relacionadas ao tabaco, e outros que,
alertados sobre os malefícios do fumo, abandonam o mesmo. Esses consumidores
têm que ser substituídos por novos indivíduos, o que estimula o investimento
constante em publicidade. Configura-se desta forma um ciclo onde o aumento do
consumo traz lucro para a indústria tabageira e para as empresas de
publicidade, que, por sua vez, atraem novos fumantes e, assim, sucessivamente.
Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER.
COORDENAÇÃO NACIONAL DE CONTROLE DE TABAGISMO E PREVENÇÃO PRIMÁRIA - CONTAPP.
"Falando Sobre Tabagismo". Rio de Janeiro, 1996.
http://www.inca.org.br/prevencao/tabagismo/porqfumam.html Artigo captado em
11/06/2001
manipulação
psicológica
A manipulação psicológica embutida na publicidade de cigarros
procura criar a impressão, entre os jovens, de que o tabagismo é muito mais
comum e socialmente aceito do que o é na realidade. Para isso, utiliza-se a
imagem de ídolos e modelos de comportamento do grupo-alvo, portando cigarros ou
fumando-os. Outro recurso é a oferta, no mercado de consumo, de produtos como
roupas, sapatos, bolsas, bonés, jaquetas etc. contendo o logotipo dos derivados
do tabaco.
As estratégias de recrutamento de novos fumantes empregadas pela
indústria do fumo são as mais diversas. Vão desde a mais simples distribuição
de amostras grátis e o patrocínio de eventos esportivos ou artísticos, até a
promoção de campanhas de saúde e o apoio a programas de hortas e cuidados com o
meio ambiente, em escolas de 1º grau.
Fonte: Ministério da Saúde.
Instituto Nacional do Câncer. Coordenação Nacional de Controle de Tabagismo e
prevenção primária - CONTAPP. "Falando
Sobre Tabagismo". Rio de Janeiro, 1996 http://www.inca.org.br/prevencao/tabagismo/publind.html (texto captado em
11/06/01)
CIGARRO
É UM NEGÓCIO!!!
Este trabalho se propõe a possibilitar um maior conhecimento
por parte de vocês estudantes, deste negócio chamado cigarro. Quando digo
"negócio", quero dizer realmente que se trata de um negócio entre
indústrias e sucessivos governos DESCOMPROMISSADOS OU QUE ENTENDERAM PRECARIAMENTE
AS PRIORIDADES DE UM POVO. É, aliás, um negócio fácil, devido ao vício que
provoca. A nicotina mantém um público cativo e, em geral, indefeso.
Nem é preciso dizer que a tentativa deste trabalho é
influenciá-los a não trilhar um caminho, já desnecessariamente trilhado por
outros tantos milhões de pessoas.
Nenhum outro produto fabricado pelo homem tem o mercado tão
garantido quanto o cigarro neste final de século. Nenhuma outra lavoura rende
tanto para o agricultor. Por outro lado, nenhuma poluição industrial se compara
à poluição causada pela fumaça do cigarro.
A confraria dos fumantes no mundo alcança a cifra de 1,1 bilhão de
pessoas que, em sua grande maioria, se iniciou antes dos 18 anos.
Uma vez instalada a dependência à nicotina -único fator que mantém
os fumantes ligados a este "prazer"-, o desligamento deste vício
estará restrito à uns poucos felizardos. A maioria passa a deter como que uma
marca: sou nicotino-dependente. Marca esta que, em contrapartida, nada
acrescenta de positivo ao indivíduo.
A adolescência representa a fatia do mercado que mais interessa às
indústrias do fumo. Dificilmente alguém se inicia no vício entre os 18 e 20
anos de idade. Cada adolescente que deixa de cair nesta esparrela nicotínica,
representará, em média, menos 15 mil dólares ao longo de 40 anos para as
indústrias e os governos. Existem muitos milhões de adolescentes no mundo e, as
campanhas publicitárias estão direcionadas preferencialmente para este público.
Hoje vocês devem tomar consciência de que estão representando o
último elo desta corrente. Caberá à vocês, e só à vocês, decidirem se vão dela
participar. A maioria dos pais e professores -muitos fumantes- de vocês não
tiveram acesso às informações quando eram adolescentes.
A fumaça destes cigarros contém milhares de substâncias tóxicas
irritantes, cancerígenas e radioativas e, não obstante, ainda se pode ver
anúncios divulgando, sob as mais diversas formas, as suas qualidades.
Este trabalho foi a forma que encontramos para contribuir para que
vocês, estudantes, evitem enriquecer a literatura médica com mais comprovações
sobre os malefícios do fumo. Já as temos em quantidade suficiente. Por outro
lado, é também a forma como faço a leitura do que é a tal da
"globalização" do planeta, não apenas em sua economia mas, sobretudo,
na livre circulação da boa informação. E a melhor informação é a que EDUCA EM
SAÚDE. A saúde é o nosso bem maior, nosso maior e melhor patrimônio, sendo
fundamental divulgarmos todo e qualquer conhecimento que possa contribuir para
a sua manutenção.
Sejamos soberanos conosco e com as pessoas !!! Não há
rigorosamente nada que justifique o tabagismo estar sendo banido do primeiro
mundo e encontrar espaço no dito terceiro.
Porque, então, os médicos fumam?
Existem
32 milhões de fumantes no Brasil.
Entre
estes fumantes, muitos trabalham em hospitais, centros ou postos de saúde,
lidando com a ausência de saúde todos os dias (num grande número de casos,
pacientes que procuram atendimento por causas ligadas ao ato de fumar). São os
chamados, hoje em dia, profissionais de saúde. São médicos, enfermeiras,
psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, dentistas, etc.
Milhares
de adolescentes esforçam-se, ano após ano, para tornarem-se profissionais de
saúde e ajudar as pessoas. O vestibular para medicina, por exemplo, é sempre o
mais disputado entre todos os cursos universitários. Mesmo com a garotada já
sabendo, que uma consulta médica brasileira recebe, hoje em dia, dos seguros e
empresas de medicina de grupo, um valor menor que uma depilação de virilha
cobrado nos cinco salões de beleza que existem em torno do consultório em que
trabalho. Nos anúncios desses planos de saúde, é sempre mostrado que eles
praticam uma medicina de ponta, apesar de uma hora do trabalho de um
fisioterapeuta valer, para eles, menos do que um sanduíche de queijo com
banana.
Porquê,
essa turma esforçada e solidária se expõe aos males do fumo? O que ocorre é bem
simples. Apesar de todo o conhecimento que têm, apesar de verem as pessoas
adoecendo, muitos não conseguem largar o cigarro porque são
nicotino-dependentes, entraram em contato com a nicotina, em suas
adolescências, como quase todos os fumantes, como vimos no capítulo anterior.
Só depois é que se tornaram profissionais de saúde.
Pode-se
contar nos dedos de uma mão, aqueles médicos que começaram a fumar já estando
na faculdade de medicina. Eu, por exemplo, só conheço três colegas em que isso
tenha acontecido.
Por
conhecerem mais sobre este problema, é menor o número de fumantes entre estes
profissionais do que entre a população em geral.
Quero
dizer com isto duas coisas: com o conhecimento sobre os males do cigarro,
diminui o risco da "curiosidade" mas, também, que é óbvio que os
profissionais de saúde não nasceram tendo este conhecimento e estas
experiências.
No final de Setembro de 96, houve um
Congresso nacional de Pneumologia em Belo Horizonte, Minas Gerais. Um grupo de
especialistas do Rio de Janeiro foi para lá num ônibus fretado. Na volta
realizei uma pequena pesquisa entre os médicos. Aqui vão alguns dados colhidos
entre os 21 especialistas: 8 fumantes (38%), 1 ex-fumante
(4,7%) e 13 que nunca foram fumantes (61,3%); entre os 9 (8+1) que tem relação
com o cigarro, 7 tiveram pais fumantes durante a sua infância ou adolescência;
entre estes mesmos 9, a idade média em que entraram no vício foi a de
17 anos. Outro dado que considero importante: entre os oito fumantes,
a divisão entre os sexos foi totalmente equilibrada, eram 4 homens e 4
mulheres, um perfeito exemplo da realidade do final do século XX. Vale lembrar,
que esta incidência de fumantes é num grupo de pessoas que são especialistas
nas doenças provocadas pelo cigarro. No Congresso em que participamos,
praticamente todos os assuntos tratados mencionavam o perigo do cigarro. Se
isto ocorre num grupo informado, vocês podem imaginar o que pode acontecer com
aqueles que não tem a informação adequada e muito menos a convivência com as
graves doenças tabaco-relacionadas.
Na China, maior
produtor e maior consumidor de cigarros do mundo, 80% dos médicos fumam
(!?!?!), enquanto que, na Inglaterra apenas 5% e, nos Estados Unidos, 7%. O
Brasil encontra-se num nível intermediário, com 25% de seus médicos fumantes.
Por falar na China, assisti, em maio de 1998, aqui no Rio de Janeiro, a entrega
anual dos prêmios da Organização Mundial da Saúde, para os que mais se
destacaram no mundo como combatentes do mal que o fumo provoca (inclusive, para
a minha colega, a Vera Luiza da Costa e Silva e sua equipe do Instituto
Nacional do Câncer). Pois bem, quando o representante da China se manifestou,
para agradecer a premiação, que os agraciados anteriores o faziam como os que
recebem um Oscar, nunca vi discurso tão enérgico contra as indústrias
do tabaco. Confesso-lhes que fiquei todo arrepiado, enquanto o médico de Hong
Kong desfiava os números, assustadores, de mortes e doenças que estão ocorrendo
na China e, o que está para vir nos próximos anos, se nada for mudado no
comportamento das pessoas e dos governos. As veias do pescoço do médico chinês
saltavam e a sua face ficou vermelha, como a explodir. Ele chamava os
produtores e vendedores de tabaco de assassinos. Se, entre seus compatriotas,
80% dos seus médicos são fumantes, vocês podem imaginar o que acontece com os
que não são da área da saúde. Lá, existem 300 milhões de fumantes(!!). Portanto,
espantem-se, mas não muito, por verem médicos fumando. Sem essa de pensar:
"Cigarro não faz mal. Meu médico fuma!?!".Fumar é uma decisão
totalmente equivocada. É como andar em campo minado ! http://www.deixardefumar.com.br/
A forma como você
vive pode salvar a sua vida
Aqui no Brasil, na sessão de abertura do 17o. Congresso Mundial de
Câncer, realizado no Rio de Janeiro, em Agosto de 1998, o Dr. Marcos Moraes,
diretor do Instituto Nacional do Câncer (INCA), fez o seguinte alerta:
"Falaremos dos progressos da ciência no tratamento de tumores. Mas isso
não modificará o perfil de mortalidade da doença, se não mudarmos os hábitos
alimentares e continuarmos fumando. A prevenção ainda é a melhor arma contra o
câncer". No bom e velho português, é melhor prevenir do que
remediar !!!
Há tempos atrás, acreditava-se que, em termos de saúde
pública, o importante era que os fumantes deixassem o tabaco. Um certo tempo se
passou e, constatou-se que o número de fumantes que conseguiam abandonar o fumo
era insatisfatório, em relação ao custo do investimento em campanhas para o
abandono. Passou-se, então, a acreditar-se que o mais economicamente sensato
seria concentrar-se esforços no sentido de conscientização da juventude para
que, não havendo novos viciados, ao longo de alguns anos, o tabagismo
desaparecesse. Estaríamos, portanto, assim conversados: por um lado, ninguém
começaria mais a fumar e, por outro, os fumantes iriam morrendo por doenças
tabaco-relacionadas ou não, reduzindo a zero a importância do tabaco para a
saúde pública.
Acontece que as coisas não aconteceram exatamente como
esperavam as autoridades do mundo à fora. Primeiramente, o resultado esperado
se uma geração resolvesse, a partir de uma determinada data, eliminar o tabaco
como um dos desejos de iniciação adolescente, surgiria apenas 30 anos após.
Três décadas seriam necessárias para banir-se o tabaco. A segunda questão, foi
que com as fantásticas campanhas publicitárias pró-fumo, enquanto esperava-se a
diminuição da entrada de jovens no vício, o que observou-se foi um aumento
deste ingresso, inclusive, nos países do primeiro mundo -apesar de décadas de
campanhas de conscientização dos riscos de fumar. E, por último, a estratégia
de não investir nas campanhas de abandono do vício revelou-se também um erro
colossal, pois, o custo da medicina -pelos seus avanços tecnológicos em todos
os campos- elevou-se muito, tornando o tratamento das doenças provocadas pelo
tabagismo extremamente dispendiosas para os governos e a sociedade como um
todo. http://www.who.int/toh/worldnotobacco99/english/message.htm