MALEFÍCIOS DO TABAGISMO
É
desnecessário detalhar os malefícios provocados à saúde, e em especial ao
coração, pelo cigarro. As campanhas governamentais e a própria postura da
maioria dos não-fumantes se encarregam de lembrar ao tabagista que seu vício é
indesejável. O cardiologista é poupado da função de "puxar a orelha"
de seus pacientes, mas tem a obrigação de fornecer a informação de qualidade.
Destacamos:1. Quais os riscos reais de determinada pessoa continuar a fumar. e
2.Quais os métodos auxiliares de maior eficiência e de relação custo-benefício
mais favorável.
Atualmente, são
numerosos os métodos disponíveis no mercado. As técnicas variam desde a hipnose
e a auto-sugestão até as gomas de mascar e adesivos impregnados de nicotina e
similares. Destacamos uma estratégia recente e cientificamente respaldada.
http://sites.uol.com.br/oeboli/tabagismo.htm
Substâncias da Fumaça do Cigarro
Quando cigarros
industrializados ou de fumo-de-rolo, cachimbos e charutos são acesos, algumas
substâncias são inaladas pelo fumante e outras se difundem pelo ambiente. Essas
substâncias são nocivas à saúde.
Todas as formas de
uso do tabaco, inclusive os cigarros com mentol, filtros especiais, com baixos
teores (light, extra-light) etc. têm uma composição semelhante, não havendo,
portanto, cigarros "saudáveis" ou cachimbos e charutos que façam
menos mal. Isso ocorre porque, mesmo escolhendo produtos com menores teores de
alcatrão e nicotina, os fumantes acabam compensando essa redução, fumando mais
cigarros por dia e tragando mais freqüente ou profundamente, ou seja, fazendo
outras modificações compensatórias em conseqüência da dependência à nicotina.
A fumaça do cigarro
é uma mistura de cerca de 5 mil elementos diferentes. Ela é formada pelos
seguintes componentes:
Nicotina - considerada droga pela OMS.
Sua atuação no sistema nervoso central é como a da cocaína, com uma diferença:
chega entre 2 e 4 segundos mais rápido ao cérebro que a própria cocaína. É uma
droga psicoativa, responsável pela dependência do fumante. É por isto que o
tabagismo é classificado no Código Internacional de Doenças (CID-10) como grupo
dos transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias
psicoativas. A nicotina aumenta a liberação de catecolaminas, acelerando a
freqüência cardíaca, com conseqüente vasoconstricção e hipertensão arterial.
Provoca uma maior adesividade plaquetária, e juntamente com o monóxido de
carbono leva a arterosclerose. Contribui assim para o surgimento de doenças
cardiovasculares. No aparelho gastrointestinal, a nicotina estimula a produção
de ácido clorídrico, podendo levar ao aparecimento de úlcera gástrica. Também
estimula o sistema parassimpático, o que pode causar diarréia. A nicotina
libera substâncias quimiotáxicas, que vão atrair para o pulmão os leucócitos
neutrófilos polimorfonucleares, a maior fonte de elastase, que destrói a
elastina e provoca o enfisema pulmonar (Orleans e Slade, 1993; Rosemberg,
1996).
Monóxido de Carbono (CO) - tem afinidade com a
hemoglobina (Hb), contida nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam
oxigênio para os tecidos de todos os órgãos do corpo. A ligação do monóxido de
carbono com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, que
dificulta a oxigenação do sangue, privando alguns órgãos do oxigênio e causando
doenças como a arteriosclerose.
Alcatrão - composto de mais de 40
substâncias comprovadamente carcinogênicas que incluem o arsênio, níquel,
benzopireno e cádmio. Carcinogênicos são substâncias que provocam câncer como
os resíduos de agrotóxicos nos produtos agrícolas, como o DDT, e até
substâncias radioativas, como é o caso do polônio 210 e do carbono 14, todos
encontrados no tabaco. Vale ressaltar que as substâncias da fumaça do cigarro
têm efeitos sobre a saúde do fumante, mas também sobre a saúde
do não-fumante, exposto à poluição do
ambiente causada pelo cigarro.
Tabagismo Passivo
Absorção da Fumaça do Cigarro por Não-Fumantes
Os não-fumantes
expostos à fumaça do cigarro absorvem nicotina, monóxido de carbono e outras
substâncias da mesma forma que os fumantes, embora em menor quantidade. A
quantidade de tóxicos absorvidos depende da extensão e da intensidade da
exposição, além da qualidade da ventilação do ambiente onde se encontra a
pessoa.
Considerando-se o
monóxido de carbono, sabe-se que o padrão de qualidade do ar bom é de 9ppm
(partes por milhão) e que a concentração máxima permitida no ar urbano é de
30ppm. Nas cidades com altos índices de poluição ambiental, ao serem atingidas
40ppm de monóxido de carbono, são acionadas medidas de controle de poluição, a
fim de proteger e alertar a população para o problema.
Nos ambientes de
trabalho fechados, a Organização Internacional do Trabalho-OIT considera 50ppm
como a concentração máxima a ser atingida, uma vez que o homem é um ser
biológico capaz de suportar exposições dessa natureza por algum tempo. No
entanto, colocando-se 25 fumantes consumindo 4 cigarros por hora em uma sala de
1.000 m³, rapidamente se atingirá 100ppm de monóxido de carbono, sem que haja
nenhum controle ou preocupação em desencadear ações para o controle da poluição
ambiental.
A permanência em um
ambiente poluído faz com que se absorvam quantidades de substâncias tais como a
nicotina em concentrações semelhantes às de quem fuma. Tal comprovação é feita
através da medição da cotinina, principal produto da decomposição da nicotina.
Esta substância pode ser encontrada no sangue e na urina de não-fumantes que
moram ou trabalham com fumantes.
Tendo em vista que
as pessoas passam 80% de seu tempo em locais fechados tais como trabalho,
residência, locais de lazer e hospitais, o cigarro é considerado, pela
Organização Mundial de Saúde, como o maior agente de poluição doméstica
ambiental.
Cada vez mais
autoridades governamentais estabelecem regulamentos que protegem o não-fumante.
Além disso, houve um aumento da conscientização dos indivíduos sobre o ar que
eles respiram, não só em casa, como nos ambientes de trabalho e locais
públicos. No Brasil progressivamente surgem leis em nível estadual e municipal
preservando os direitos dos não-fumantes, o que mostra um avanço na
conscientização das autoridades no que tange à poluição tabágica ambiental.
Mas pode-se fazer
mais, estimulando-se locais de trabalho, escolas, unidades hospitalares e
outros setores da sociedade a desenvolverem uma política de proteção ao
não-fumante em ambientes fechados. http://www.inca.org.br/prevencao/tabagismo/tabpassivo.html
Efeitos da Fumaça sobre a Saúde do
Não-Fumante
Os fumantes
passivos sofrem os efeitos imediatos da poluição tabágica ambiental, tais como
irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia, aumento de seus
problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias, e aumento de
problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor
no peito). Outros efeitos a médio e longo prazo são a redução da capacidade
funcional respiratória (o quanto o pulmão é capaz de exercer a sua função),
aumento do risco de ter arteriosclerose e aumento do número de infecções
respiratórias em crianças. Além disso, os fumantes passivos morrem duas vezes
mais por câncer de pulmão do que as pessoas não submetidas à poluição tabágica
ambiental.
As crianças,
principalmente as de baixa idade, são enormemente prejudicadas em sua
convivência involuntária
O consumo de
cigarros é a mais devastadora causa evitável de doenças e mortes prematuras da
história da humanidade. O consumo do tabaco atingiu a proporção de uma epidemia
global, provocando, a cada ano, a morte de 4 milhões de pessoas em todo o
mundo, ou seja, uma a cada oito segundos. Um quadro preocupante com
conseqüências graves sobre a saúde da população.
A Organização
Mundial da Saúde-OMS registra mais de 60 mil pesquisas publicadas e
reproduzidas em diversos lugares do mundo, comprovando a relação causal entre o
consumo do cigarro e doenças graves como câncer de pulmão (90% dos casos),
enfisema pulmonar (80%), infarto do miocárdio (25%), bronquite crônica e
derrame cerebral (40%).
Por esta razão, o
controle do tabagismo é uma das prioridades do Instituto Nacional de Câncer, já
que esta é a mais importante e eficaz ação de prevenção do câncer de pulmão,
reduzindo seus índices de incidência e mortalidade.
Em 1997, o INCA foi
nomeado Centro Colaborador da OMS para o Programa "Tabaco ou Saúde"
na América Latina cujo objetivo é estimular e apoiar políticas e atividades
antitabagismo nessa região. http://www.inca.org.br/prevencao/tabagismo/tabpassivo.html
COMEÇAR A FUMAR NA ADOLESCÊNCIA
PROVOCA ALTERAÇÕES GENÉTICAS IRREVERSÍVEIS
Um especialista em genética da Universidade da Califórnia, EUA, o
professor John Wiencke, divulgou resultados de estudo em que fica patente que,
quanto mais cedo a pessoa começa a fumar, mais danos o cigarro vai provocar em
seu organismo. As alterações no DNA entre outras coisas facilitam o
desenvolvimento do câncer de pulmão futuro. Volto a lembrar que o câncer de
pulmão é o que mais mata americanos do norte, homens e mulheres. Em países como Dinamarca,
Alemanha e Estados Unidos, as meninas de 14 a 19 anos já fumam mais que os
meninos da mesma idade. O alerta vem da Organização Mundial de Saúde (OMS), em
documento divulgado em Kobe, Japão, durante a Conferência Internacional sobre
Tabaco ou Saúde, realizada no mês passado.
Para quem
participou do evento, essa afirmação revela aparente vitória da indústria do
fumo na guerra por novos consumidores, no caso, consumidoras. As pesquisas pelo
mundo afora indicam o constante crescimento no consumo de tabaco pelas garotas.
Nos EUA, por exemplo, em apenas seis anos (de 1991 a 1997), o número de alunas
do ensino médio que fumavam passou de 27% para 34,7%, segundo o Jornal
Americano de Saúde Pública, espécie de Conselho Federal de Medicina.
O Brasil não fica
atrás. O Centro Brasileiro de Informações sobre Doenças Psicotrópicas da
Universidade Federal de São Paulo pesquisou durante dez anos (1987 a 1997) o
consumo de cigarro entre estudantes de 10 a 18 anos de dez capitais
brasileiras. O resultado não é nada animador, especialmente para as jovens do
Rio, de São Paulo e Porto Alegre, capitais onde só cresce o número de mulheres
jovens fumando.
Sorriso de Fumante pode durar pouco
Se você é fumante,
arme-se até os dentes para ler essa notícia e tratar de largar o vício do
tabaco. No quesito saúde bucal, os efeitos do cigarro vão de mau hálito à
precoce perda dos dentes. Segundo uma pesquisa feita durante 12 anos na Johns
Hopkins University (EUA), quem fuma pode ficar desdentado antes da hora,
especialmente se o viciado for do sexo feminino. Segundo o estudo, as mulheres
fumantes têm 67% mais chances de perder seus dentes do que as não-fumantes.
Cortar de vez o cigarro ou diminuir seu consumo pode retardar o processo.
Outro estudo feito pela mesma universidade, com 155 homens e mulheres, mostrou
que os fumantes têm o dobro de chances de desenvolver doenças do periodonto
(conjunto que sustenta os dentes) em relação aos não-fumantes. A saúde bucal
dos fumantes é mais frágil porque o tabaco diminui a resposta imunológica a
bactérias. O monóxido de carbono presente na fumaça que é ingerida pelo fumante
reduz a concentração de oxigênio e inibe a movimentação de glóbulos brancos,
reduzindo sua capacidade de destruir bactérias.
Outros elementos químicos presentes na fumaça do cigarro podem diminuir ainda
mais a resistência dos tecidos do periodonto. Esses elementos são absorvidos
pelas raízes dos dentes. Um em cada três fumantes que participaram dessa
pesquisa tinham a superfície das gengivas escurecidas, por pigmentação com
melanina.
A falta de anticorpos também pode contribuir para que o fumante desenvolva halitose (mau hálito). Como se não bastasse, outros estudos também estão sendo feitos para demonstrar os danos causados pelo cigarro ao esmalte dos dentes, fazendo com que eles também, além das gengivas, fiquem escuros. sorriso.htm - top. Texto extraído da Folha de São Paulo (Folhateen - 16/08/1999)-
QUEM GANHA
DINHEIRO COM TUDO ISTO ?:
Os dois principais beneficiados pelo comércio de produtos que
contêm nicotina são : os governos que arrecadam os impostos e as indústrias do
fumo.
Além destes, existe toda uma rede de interesses os mais diversos
que tem início nos agricultores, aqueles que plantam as sementes e entregam as
folhas preparadas para o beneficiamento às indústrias, passa pelos fabricantes
de fósforos, isqueiros, cinzeiros, cigarreiras, cachimbos, piteiras, papel
(para a feitura do cigarro , para os maços que os embalam, para os cartazes dos
anúncios, etc.), pelos fabricantes dos agrotóxicos que são usados na lavoura do
fumo, pela indústria farmacêutica que irá fabricar os remédios que futuramente
serão prescritos para os fumantes que se tornarão doentes, por todos os
fabricantes de materiais hospitalares (cateteres, sondas, fios de sutura,
radiografias, contrastes radiológicos, respiradores artificiais, seringas,
agulhas, balas de oxigênio, cadeiras de rodas, muletas, próteses penianas,
etc.). Passa também pelos médicos de várias especialidades (que mantêm parte da
sua clientela entre os usuários do tabaco) , pelos hospitais, casas de saúde e
laboratórios. Ganham bastante as empresas de publicidade , os publicitários ,
os produtores culturais, os atores , os modelos , os pilotos de carros de
corrida e, a imprensa falada, escrita e televisionada que veicula as mensagens
publicitárias (6% do que a indústria do tabaco arrecada é aplicada em
anúncios). Na outra ponta da linha, iniciada pelos agricultores, estão os donos
de tabacarias, bares, restaurantes, bancas de jornal, vendedores ambulantes e
postos de gasolina que vendem os cigarros.
Sei que posso passar por exagerado mas, acompanhem-me nesta viagem pelo livro "Armas, Brasões e Símbolos Nacionais", do Prof. de História Sebastião Ferrarini.

A palavra moda nos
dicionários nos leva à : bom tom, canção, cantiga, costume de época,
fantasia, figurino, gosto, jeito, jeito de vestir, traje, etc.
A moda traduz uma
tendência temporária de alguma coisa. Por exemplo, estamos, pelo menos, no Rio
de Janeiro aonde vivo, com uma tendência de certos grupos a usarem boné na
cabeça, com a aba virada para trás. Isto é uma moda. Pode até ser que quem
esteja gostando de usar boné com a aba para trás imagine que isto nunca irá
terminar, que sempre se usará boné com a aba para trás. Pode até ser que este
moda dure até o resto de nossas existências mas, o provável é que de uma hora
para outra surja outra maneira de expressar o "sei lá o que" que o
boné para trás está querendo dizer. Não tenho dúvidas de que ele quer dizer
algo.
Volto pras minhas
lembranças de adolescente, quando houve uma moda das calças "boca de
sino". Tinham que cobrir totalmente o sapato. Como calço 45, em mim quase
pareciam uma saia. Se a ponta do sapato aparecia, não era uma boca de sino
legítima. Estar na moda gera um certo status. Se numa festa você fosse sem boca
de sino, sua chance de fazer sucesso entre as meninas era muito reduzida.
Agora, se fosse com a tal calça e ainda por cima soubesse os passos certos pra
dançar o Hustle, aí era meio caminho andado, era só correr pra galera. Depois,
veio uma moda em que a calça tinha que ser curta, aparecendo o tornozelo e com a
boca justíssima. Nova corrida às lojas pra refazer o guarda-roupa às pressas,
para não parecer "bocomoco".
Um pouco mais para
trás, houve o anel com a caveira do Fantasma. Como me senti bem com aquele anel
! Caía um grampo e eu mostrava o dedo do Fantasma, era a glória. Eu fazia parte
de um grupo, do grupo que usava o anel. Como se tivéssemos descoberto nossa
identidade, ali existíamos, éramos os que usavam o anel do Fantasma. E nos
bastava, não era preciso conversar sobre aquilo, pra que serviria aquele anel,
o que estávamos querendo dizer com aquele anel, era só usá-lo e ponto final.
Poderia citar aqui
uma série de modas e modismos, como biquínis asa-deltas, tênis de cano alto,
plástico de boutique no vidro do carro, sem falar nos cabelos (quantas variações).
Sou do tempo dos Beatles, com aqueles cabelos longos e lisos, enquanto que o
meu era curto e enrolado. A moda era longo e liso. Até henna pedi para minha
mãe passar para ver se conseguia enganar. Jimmy Hendrix não tinha muito ibope
com as meninas, apesar de ter sido o maior guitarrista da história.
Outro exemplo de
moda, são aquelas calças rasgadas e desfiadas. Daqui a algum tempo, quem portar
uma destas será internado num manicômio mas, durante a moda, é superchique
andar com o joelho ou um pedaço da coxa aparecendo.
Todas estas modas
que, enquanto estão na moda parecem que nunca vão mudar, tem um tempo
determinado (juro que nunca entendi por quem).
O cigarro,no
entanto, não é uma moda. O cigarro é um vício. Vício não muda, só aumenta. Se o
cigarro não tivesse nicotina, nem estaríamos falando sobre ele agora. Teriam
fumado em 1918 e, em 1919 já teria sido trocado por outra coisa.
O cigarro também
não mostra uma tendência de um grupo, já que encontramos fumantes em quase
todos os grupos sociais: caretas/doidões, médicos/pacientes, homens/mulheres,
jovens/coroas, mendigos/magnatas, artistas plásticos/operadores da bolsa de
valores, ninfetas com seus cachorrinhos brancos/espadas com seus pit-bulls,
etc. Portanto, nem para isto o fumo serve, nem para vocês marcarem um momento,
nem para entrar com as suas marcas na parada.
Quando vejo as
paredes dos prédios da cidade grafitadas, nelas eu sinto a enorme necessidade
de adolescentes terem a sua marca reconhecida. Normalmente a marca é o seu
próprio nome, ou melhor, o seu codinome (o código do seu nome). Ouço ali, um
grito, um berro de forças da natureza, clamando reconhecimento a uma sociedade
surda. É muito diminuto o estímulo à criatividade na maioria das casas e
escolas de vocês. Além do que, nesta sociedade individualista de final de
século, o reconhecimento do valor do outro não é um esporte de massa. Pois bem,
acabam muitos adolescentes falando para as paredes, com as suas latas de tinta
em spray e, tendo a admiração apenas dos seus iguais. Fumar, creio também ser
uma forma inútil de ter-se seu valor reconhecido, ao contrário, parece-me mais
um atestado de falta de valor: "Já que não valho nada mesmo, quem sabe se
eu fumando não passo a merecer a atenção e a admiração de alguém". Durante
uma entrevista coletiva em que respondia às questões sobre o prêmio Grammy que
acabara de receber (final de fevereiro de 99), pelo disco Quanta ao vivo,
Gilberto Gil revelou como havia decidido parar de usar tabaco: "o Stevie
Wonder virou-se pra mim e disse: Gil, pare de fumar, Gil. Chega!!".
Outra ilusão que
leva adolescentes a fumar é a de se tornarem mais velhos. Seria como que um
passe de mágica para entrar na fase adulta. Esta ilusão até pode já ter tido
algum efeito. Hoje em dia, com o sucesso das campanhas publicitárias pró-fumo,
existem tantas crianças fumando que é ridículo associar este vício a ser mais
velho. Uma pesquisa feita no Sul do país revelou que 90% dos meninos de rua de
Santa Catarina são fumantes. A vontade de querer ter outra idade é quase uma
marca dos seres humanos. A Lívia, minha filha de 5 anos, às vezes quer me fazer
parecer que já tem oito, meus pais que já passaram dos sessenta, vivem tendo
atitudes de quem tem quarenta e, eu que estou chegando aos quarenta, ora
gostaria de ser adolescente como vocês, ora sonho com a minha aposentadoria,
quando iria viver cuidando das minhas plantas. Uma coisa é certa: o fato de
alguém fumar não quer dizer que ele está mais velho, ao contrário,
psicologicamente até indica uma certa regressão, volta-se a ser neném, em busca
daquele seio materno que lhe acalmava os nervos e saciava a fome.