Hospitais e vítimas do tabagismo 
podem ter indenizações

 

A Associação de Hospitais de Minas Gerais promoveu palestra proferida pelo deputado federal Osmânio Pereira e pelo Dr. Marinho Mendes, procurador regional da República em Brasília e representante no Brasil da Caw Offices Podhurst Orseck Josepfberg Eaton Meadow Olin & Perwin, P.A. Miami-Flórida-USA, sobre o Fundo de Indenização constituído nos EUA para vítimas do tabagismo, no montante de US$ 200 bilhões, ao qual pode habilitar-se entidades e governos. Existe possibilidade de hospitais brasileiros que atendem vítimas do tabagismo (oncologia e cardiologia) de postular indenizações junto ao Fundo.

Também participou do evento o Dr. Cássio Eduardo Rosa Resende, ex-procurador de Justiça e que será o representante dos interessados das entidades em Minas Gerais. Na ocasião os palestrantes esclareceram diversas dúvidas surgidas, além de explicar a tese e a documentação necessárias para que sejam possível propor as ações judiciais.

Os hospitais interessados deverão analisar seus arquivos para avaliar as condições da documentação para dar suporte à prova.

A AHMG também fará pesquisa de parâmentos de custos dos diversos tratamentos das doenças advindas do tabagismo, para oferecer aos hospitais. Os dirigentes hospitalares que desejarem entrar com as ações judiciais deverão contatar com a Associação de Hospitais para dar seqüência nos procedimentos. http://www.ahmg.com.br/j0011_07.htm

 

Não importa se o tabaco gera muito imposto para o governo. Um governo não pode receber imposto por venda de droga

Vocês devem estar cansados de ouvir que nosso país tem dimensões continentais. Isto não quer dizer só que ele é grande às pampas. Quer dizer também que tem gente à beça. Somos mais de 160.000.000 (cento e sessenta milhões) de pessoas. Um mercado de consumo maravilhoso, pra qualquer porcaria que alguém queira vender. Tudo se pode multiplicar por cento e cinquenta milhões, pensem nisto. É bem verdade que tem uma porção destes milhões que, no momento, não está podendo consumir quase nada mas, mesmo assim, sobra "muitiu" milhão de gente. Enquanto está havendo uma diminuição dos negócios nos países ditos adiantados, as indústrias tabageiras vem deslocando muito do seu poder para o dito terceiro mundo, elas vêm secas, apostando na nossa ignorância e, porque não dizer, total desproteção ( vide à exposição a que vocês estão sujeitos aos anúncios dos cigarros, há muito proibido nos países do andar de cima ). A Alemanha inteira cabe dentro de São Paulo, atravessa-se toda a Suiça em 3 horas de carro (naquelas auto-pistas maravilhosas), a Hungria é do tamanho de Santa Catarina. Imaginem quão interessantes podemos ser para as indústrias de fumo.

Permitam-me uma pausa para eu contar um pesadelo: numa destas madrugadas, acordei suado, arfando, deprimido. Sonhara que tinha ido a um lugar e pedido um sanduíche de queijo Minas. De repente, quem me atendia eram jovens vendedores do Mc Donald's que começavam a rir do meu pedido, um chamava outro e, os dois mais outros e, ao final, estavam às dezenas a gargalhar da minha solicitação, mãos à barriga para não explodirem, todos a repetir: "sanduíche de queijo Minas, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah!, Ah! Acordei com a sensação de ser um dinossauro a quem esqueceram-se de explicar a nova ordem e, para complicar, como se segurasse uma bandeirinha brasileira velhinha, em frangalhos.Bom, grato por aceitarem a minha pausa.

Em relação aos agricultores, o tabagismo mereceria um capítulo à parte, tal a importância que a cultura do tabaco assumiu no Brasil. É disparado a roça que mais rende para o agricultor. Nenhuma outra lavoura trás tanto lucro. Até porque, as indústrias facilitam ao máximo, fornecendo sementes, apoio técnico no plantio, transporte, etc. Milhares de famílias brasileiras dependem destes roçados, o que será um problema futuro quando, assim espero, houver uma conscientização maior das pessoas em relação a este assunto. Neste sentido, em muito se assemelhando às famílias dependentes da produção de cocaína nos países, nossos vizinhos, Bolívia e Colômbia. Lá, muito da economia rural, e mesmo a dos próprios países, está diretamente ligada ao cultivo da "coca", devido ao seu alto lucro.

No Brasil, os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são responsáveis por 80% da produção nacional de fumo.

No Zimbabwe, por exemplo, 60% da agricultura está ligada à produção do tabaco. Em Malawi, na África, um dos países mais pobres do mundo, 40% do produto interno bruto depende das exportações de fumo. A Organização das Nações Unidas (ONU) espera levar 30 anos (!!) para reverter este quadro, criando outros tipos de plantações.

Conversando com o Bigode, dono de um barzinho no centro da cidade do Rio de Janeiro, descobre-se que o lucro com a venda de cigarros não é significante. Os donos de bares ganham 8 % do valor. O Bigode me disse, que só vale a pena pelas vendas indiretas, tipo o sujeito que vai comprar cigarros e, ao ver uma bandeja de pastéis chegando, fresquinhos, aproveita e diz : "me dá um pastel deste aí, ô bigode". Ele reclamou (o bigode) que, se perde um maço de cigarros, lá se foi o lucro que teria vendendo dez (perde aí, quer dizer, se alguém leva e não paga, bem entendido). Um outro jeitinho brasileiro é o tal de "cigarro à varejo", aonde o incauto sem grana compra um cigarro de cada vez, pagando duas vezes mais caro, porém, como muitos não têm dinheiro para o maço inteiro, vai levando assim mesmo...