Mosquito deixa Brasil de cama

 

Se o quintal da sua casa está naquele estado deplorável, não basta apenas fechar a porta para fingir não ver a bagunça. Limpeza e organização são as ações que melhor definem a ação contra a dengue. Não espere o seu amigo começar, ou você ficar doente para limpar, é necessário por a mão na massa já!

 

O primo do seu vizinho já teve. A amiga da sua mãe também. Ela está nas rádios, nos jornais e na televisão. Será que não está no seu quintal também?

A dengue, a doença do verão brasileiro, derrubou o país. Entidades públicas e privadas estão mobilizadas para acabar com o problema, mas a maior contribuição deve ser nossa.

É importante lembrar que a dengue é uma doença democrática: atinge a todos, sem distinção de cor, escolaridade ou classe social.

Todo o verão é a mesma coisa: mobilização para acabar com os focos do Aedes aegypti. Porém, com o fim da estação acabam também os cuidados com o saneamento e a doença volta cada vez mais forte.

O primeiro caso de dengue registrado no Brasil data de 1685, no Recife. Hoje, mais de 300 anos depois e em pleno século 21, um mosquito consegue render um país.

Segundo a Agência Federal de Prevenção e Controle de Doenças, de 2000 para 2001 houve um aumento de 67% nos casos. Em janeiro deste ano, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro contabilizou 25.386 casos. Em 2000 esse número era de 3.497.

É lamentável ver uma doença colonial derrubando os brasileiros, mas para que ela seja erradicada é necessário conhecimento para depois irmos ao combate.

 

O que é a dengue?

É uma doença causada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. O mosquito é o principal vetor da doença e pica apenas durante o dia. A infecção pode ser causada por qualquer um dos quatro tipos (1,2,3 e 4) do vírus da dengue, que produzem as mesmas manifestações.

 

Tipos de dengue

Há quatro tipos de dengue, mas os mais comuns no Brasil são os 1 e 2. A dengue do tipo 3 é a mais perigosa, chamada dengue hemorrágica.

Os sintomas são os mesmos da dengue comum. Apesar do nome “hemorrágica” o principal perigo da dengue tipo 3 não são os sangramentos, mas a pressão arterial muito baixa, o que leva a pessoa a sofrer um choque.

Depois que a febre começa a diminuir, pode aparecer os seguintes sintomas:

·        dor no fígado (nas costelas, do lado direito)

·        tonteiras, desmaios

·        pele fria e pegajosa, suor frio

·        sangramentos

·        fezes escuras, parecidas com borra de café

Caso não seja tratada nos primeiros dias, a dengue hemorrágica pode levar à morte.

Se você ouviu falar que a dengue hemorrágica só aparece em pessoas que já tiveram a doença, não acredite na lenda. O tipo 3, segundo o Centro de Informação em Saúde para Viajantes, pode ocorrer em quem tem a doença pela primeira vez, mas o risco é maior do que na primeira infecção.

Uma pessoa pode ter dengue até quatro vezes, já que existem quatro tipos  do vírus da dengue. Cada vez que a pessoa tem dengue por um tipo, fica permanentemente protegida contra novas infecções por aquele tipo.

 

O mosquito

Aedes aegypti, certamente foi um dos nomes que você mais ouviu durante o verão. Um mosquitinho menor que um pernilongo comum, escuro e rajado de branco. Tem hábitos diurnos e se desenvolve em água limpa e parada.

Vive apenas 45 dias –ainda bem!- e, apesar da vida curta, causa grandes estragos: um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas.

Seus ovos podem durar até um ano, o que explica o reaparecimento da doença a cada verão.

E ser vetor da dengue não é coisa de macho não! A transmissão da doença ocorre a partir da picada da fêmea do mosquito. A mosca gosta de ambientes domésticos e arredores.

A dengue não é transmitida por contato direto entre um doente e uma pessoa sadia, nem através de fontes de água ou alimentos.

 

Como evitar

O único modo de se evitar a dengue é acabar com o mosquito, ou melhor, a mosca transmissora. É necessário que acabar com os criadouros, qualquer lugar que tenha água limpa e parada é um ninho de transmissores da dengue.

As farmácias foram invadidas por pessoas amedrontadas pelo mosquito em busca de repelentes. Segundo especialistas, eles não são eficazes pois têm efeito temporário e indeterminado. As velas de citronela, essência usada como repelentes de insetos, entram nessa mesma classificação.

Um outro mito é a ingestão de doses de vitamina B, mas que não é eficaz, pois o efeito varia com o metabolismo da pessoa e não repelir completamente o mosquito.

O uso da borra de café, segundo a Sucen, não matou as larvas do Aedes quando testadas em laboratórios.

Os recipientes preferidos para o Aedes se reproduzir são: garrafas, pneus, pratos de vasos de plantas e xaxim, bacias e copinhos descartáveis. Não se esqueça de verificar se a caixa d’água está tampada, assim como cisternas, tambores e outros locais que possam armazenar água.

Lembre-se de trocar diariamente a água do pote dos animais, atentando para lavar com uma escova o recipiente, já que os ovos podem ficar grudados em suas paredes. O mesmo cuidado deve se ter com os vasos das plantas.

 

Guerra à doença

A Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo –Sucen-  recomenda os seguintes cuidados no combate ao Aedes aegypti:

 

Sintomas

Agora você já sabe o que é dengue, quais são os seus tipos e como é o mosquito transmissor. Mas como saber se você ou algum conhecido tem a doença?

Os principais sintomas da dengue são:

·        Dor de cabeça e nos olhos, com sensibilidade à luz

·        Febre alta (muitas vezes passando de 40 graus);

·        Dor nos músculos e nas juntas;

·        Manchas avermelhadas por todo o corpo;

·        Falta de apetite;

·        Fraqueza;

·        Em alguns casos, sangramento de gengiva e nariz.

O aparecimento desses sintomas torna você um suspeito de ter contraído a doença, mas muitas outras moléstias têm indícios parecidos com os da dengue. Por isso, procure um serviço de saúde logo no começo desses sinais.

 

Tratamento

 Os sintomas da dengue são parecidos com os de uma gripe forte. Então, como os nossos avós já recomendavam, repouso absoluto. Não há tratamento específico da dengue, por ser uma doença viral e com sintomas que a confundem com outras moléstias.

A pessoa com dengue deve beber muito líquido e não deve se automedicar.

Deve evitar-se bebidas com cafeína, como o café e o chá preto, e não é necessário fazer nenhuma dieta.
Para quem já teve dengue uma vez, o cuidado deve ser redobrado. Em uma segunda contaminação, as chances são maiores de a doença evoluir para a forma hemorrágica, que pode ser mortal.

E o grande apelo dos médicos aos suspeitos de dengue é: EVITE A AUTOMEDICAÇÃO! Todos os medicamentos podem ter efeitos colaterais e alguns podem até piorar a doença.

Um simples remédio para dor ou febre pode aumentar o risco de sangramento; os antiinflamatórios podem causar hemorragia digestiva e reações alérgicas; os remédios que contêm dipirona devem ser evitados, pois podem diminuir a pressão, ou às vezes, causar manchas na pele parecidas com as da dengue.

Uma vez curadas, a recuperação da doença costuma ser total. É comum que ocorra durante alguns dias uma sensação de cansaço, que desaparece completamente com o tempo, sem deixar seqüelas.

Mas a doença pode voltar a se desenvolver, se causada por outros tipos de vírus.