Sol: mocinho ou bandido?

Consultoria:Dr. Wagner José Monteiro Cardoso

 

Verão e férias. As duas coisas juntas sempre nos remetem a praia, piscina, e muito, muito sol. Com a chegada da nova estação, é quase impossível não ficar exposto ao Sol e aos seus raios ultravioleta nocivos.  Ainda mais no tropicalismo brasileiro, com praias maravilhosas e um apego cultural às pessoas de pele dourada.

Os dois principais tipos de radiação emitidos pelo Sol são a UVA- ultravioleta A, responsável pelo envelhecimento precoce e manchas e a UVB- ultravioleta B, que além de bronzear, queimam e propiciam o melanoma, o mais terrível tipo de câncer de pele.

Os raios UV-B (Ultravioleta b - são raios de curto comprimento, com um nível de energia que permite rápido bronzeamento mas, podem provocar queimaduras graves). Eles atingem o núcleo das células provocando mutação dos cromossomos. Normalmente as pessoas de pele clara que tomam sol constantemente sem usar filtro protetor, dificilmente deixarão de desenvolver um carcinoma (tumor de menor gravidade que o melanoma).

Já os UV-A (ultravioleta a - são raios de longo comprimento, com baixo nível de energia, demoram para bronzear e produzir queimaduras), são ótimos para bronzear, mas são causadores do envelhecimento da pele. A longo prazo, além das rugas e flacidez, os UV-A também podem causar câncer cutâneo, que acontece pelo efeito acumulativo dos raios.

O bronzeamento natural é indispensável para uma boa saúde da pele, pois cria uma defesa contra a ação do Sol. A produção de melanina aumenta e a pele escurece, o que diminui a penetração dos raios ultravioletas.

Os raios ultravioleta, especialmente o UVB, ajudam a estimular a produção de cálcio no organismo, substância fundamental para a boa formação dos ossos. Com isso evitam doenças como a osteoporose e contribuem em tratamentos para doenças como vitiligo e psoríase.

Mais uma boa ação do astro-rei é a ação bactericida dos raios ultravioleta, que seca as lesões provocadas pelas espinhas e cravos e melhora a aparência de quem tem acne.

Porém, sol em excesso, como todos sabem, além de causar queimaduras e manchas, câncer de pele, pode provocar fotoalergia, herpes labial e lesões pré-malignas.

Para que o banho de sol não se transforme em uma ameaça à sua saúde, a exposição deve ser gradual, começando com um máximo de 15 minutos no primeiro dia, sempre evitando os horários entre 11h e 15h. Esse período é perigoso, pois os raios solares incidem diretamente sobre a Terra, em ângulos que variam de 45º à 135º, fazendo de nós alvos fáceis de câncer e outras enfermidades.

Existem estudos científicos que demonstram a relação entre a diminuição da camada de ozônio, responsável pela filtragem do UVC, e a incidência do câncer de pele. Cada 1% a  menos na espessura dessa camada significa um aumento de 1 a 3 % de casos da doença. Levando-se em consideração que a cada ano a camada de ozônio que protege a Terra está se deteriorando, cada vez que você toma sol hoje, está recebendo mais radiação do que há alguns anos.

Como na maioria das doenças, a prevenção é o melhor remédio também quando se trata de problemas de pele. É claro que ninguém vai ficar em casa o dia inteiro, trancado e morrendo de calor no verão. E nem é isso o que deve ser feito.

A melhor maneira de se aproveitar o clima desse Brasil tropical é utiliza-lo com proteção e moderação. O uso de filtros solares é indispensável, não apenas para a prevenção do câncer de pele, mas também para retardar o envelhecimento precoce e prevenir manchas.

Prestar atenção nos horários, que os especialistas em saúde não se cansam de alertar, é outra medida essencial para ter uma pele bronzeada e saudável. Tome sol das 8h às 11h ou após às 15 h.