O álcool e o seu corpo

 

Falando sério

O uso descontrolado e exagerado da bebida alcoólica pode causar uma série de problemas. Entre eles, os mais preocupantes são os danos no cérebro, o desgaste do fígado, a desnutrição e a insuficiência circulatória.

Ao atingir o cérebro, o álcool vai destruindo neurônios – sabemos que os neurônios são células que não se reproduzem, nem se recuperam. Por isso, o dependente alcoólico sofre perdas de memória e lentidão de raciocínio.

É o efeito do álcool no cérebro que é responsável pela chamada crise de abstinência que acomete o dependente quando ele fica sem a bebida. A falta repentina do álcool para quem está viciado nele pode dar tremores, irritabilidade, alucinações, como qualquer outro vício. Também pode levar a pessoa a ter uma convulsão. Nesse caso, se não for socorrido, o dependente pode ter uma parada cardiorrespiratória e morrer.

Outro “órgão” muito atingido e prejudicado pelo álcool é o fígado. A maior glândula do organismo é responsável por uma enorme quantidade de reações químicas, sendo comparada a um grande laboratório. Uma de suas funções é filtrar substâncias nocivas de tudo o que ingerimos – e o álcool é uma delas.

Quando a quantidade de álcool ingerida ultrapassa a capacidade suportada pelo fígado, ele adoece. É a cirrose – se não for tratada, ela impede o funcionamento do fígado, ou seja, a glândula não consegue mais filtrar e o organismo pode ficar intoxicado até a morte.

Paralelamente, o fígado também é responsável pela dissolução de gordura no organismo. Estando sobrecarregado, ele pode deixar de desempenhar esta função, dando início a um acúmulo de gordura no interior da glândula. Com o tempo, esta mesma gordura pode aparecer, também, nas veias e artérias, causando uma deficiência circulatória. O sangue, veículo que tem a tarefa de abastecer cada célula do corpo, não consegue cumprir seu papel. Isso resulta em perda de sensibilidade, principalmente nas extremidades, como mãos e pés. É o que predispõe a pessoa a machucar-se sem perceber, a pisar num caco de vidro e não notar. Formam-se as feridas, que o organismo não dá conta de cicatrizar.

Além de tudo isso, as bebidas alcoólicas, em geral, são extremamente calóricas. Um copo (240ml) de cerveja tem 100 calorias; uma taça de champanhe, 85 calorias; uma taça (100ml) de vinho seco, 80 calorias; meio copo (100ml) de pinga, 230 calorias; uma dose (100ml) de whisky, 240 calorias.

Por isso, as pessoas que bebem, geralmente, não se alimentam. Apesar da energia, as bebidas não contêm nutrientes e a pessoa acaba ficando fraca e desnutrida. No dia seguinte, ela acorda com tremores, suando frio... e sente que tem que beber para poder se sustentar. Assim, ela alimenta não o organismo, mas o ciclo vicioso.

A pele fica ressecada, o corpo incha, os movimentos ficam mais difíceis - toda a “engrenagem” entra em pane.

Enquanto isso, seu comportamento muda, ele torna-se agressivo ou depressivo, passa a ter problemas com a família, com os amigos. Falta no trabalho, briga no trabalho, comete erros graves, é demitido, aumenta a crise, ele bebe mais e vai afundando também mais.

Aí, bebe para “curar” seu mal-estar, como se o álcool fosse o “remédio” perfeito para aliviar a carga que ele mesmo criou. Covarde demais para enfrentar o problema, ele se destrói.

Hereditariedade

A medicina há muito já admite que o alcoolismo é uma doença hereditária, que passa de geração para geração. Por isso, quando há um dependente na família, aumentam as chances de que outros parentes possam desenvolver o problema com o tempo.