O que é a AIDS:

 

AIDS é a sigla em inglês para Acquired Immunodeficiency Syndrome ou, para nós, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Recebeu o nome AIDS, imunodeficiência adquirida, para diferenciá-la de imunodeficiências de outras origens. É definida como síndrome pois não tem uma manifestação única, caracteriza-se pelo aparecimento de várias doenças sucessivas e/ou simultâneas, devido ao enfraquecimento das defesas do organismo. Estas doenças que surgem em decorrência da deficiência imunitária do indivíduo são chamadas doenças oportunistas e representam a principal causa de óbito em aidéticos.

É esta fase do espectro da infecção pelo HIV em que se instalam as doenças oportunistas caracteriza clinicamente a AIDS.

As doenças oportunistas que se desenvolvem na AIDS são geralmente de origem infecciosa, porém várias neoplasias também são consideradas oportunistas.

Infecções oportunistas podem ser causadas por microrganismos não patogênicos, ou seja que usualmente não são capazes de desencadear doença em pessoas com sistema imune normal. Os microrganismos sabidamente patogênicos também produzem infecções oportunistas. Porém, nesta situação, as infecções assumem um caráter de mais grave ou agressivo que o habitual em pessoas imunocompetentes. As doenças oportunistas associadas à AIDS são várias, podendo ser causadas por vírus, bactérias, protozoários, fungos e certas neoplasias. As mais comuns são:

·                    Vírus: Citomegalovirose, Herpes simples, Leucoencafalopatia Multifocal Progressiva;

·                    Bactérias: Micobacterioses (tuberculose e complexo Mycobacterium avium-intracellulare), Pneumonias, Salmonelose;

·                    Fungos: Pneumocistose, Candidíase, Criptococose, Histoplasmose;

·                    Protozoários: Toxoplasmose, Criptosporidiose, Isosporíase;

·                    Neoplasias: sarcoma de Kaposi, linfomas não-Hodgkin, neoplasias intra-epitelial anal e cervical. É importante assinalar que o câncer de colo do útero compõe o elenco de doenças que pontuam a definição de caso de AIDS em mulher.

Entre outros transtornos a AIDS traz graves problemas psicológicos e sociais. Seu controle e tratamento envolvem a ingesta de 20 a 30 comprimidos por dia em horários diversos, consomem altas somas em dinheiro e produz um desgaste humano muito grande no indivíduo doente e sua família.

História da AIDS

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos jovens, do sexo masculino, homossexuais, moradores de São Francisco e Nova York, que apresentavam Sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune. Estas características levaram à conclusão de que se tratava de uma doença até então desconhecida e ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível. Posteriormente alguns casos ocorridos nos últimos anos da década dos 70, foram identificados como tendo sido AIDS.

No Brasil, a AIDS foi diagnosticada pela primeira vez em 1982, em sete pacientes homo ou bissexuais. Um caso foi reconhecido retrospectivamente, no estado de São Paulo, como tendo ocorrido em 1980.

Perfil epidemiológico da AIDS

Nos últimos anos, vêm ocorrendo importantes mudanças no perfil epidemiológico da AIDS. A epidemia que, em sua primeira fase (1980 a 1986), caracterizava-se pela preponderância da transmissão em homens homo e bissexuais, de escolaridade elevada. A segunda fase da infecção pelo HIV (1987 a 1991), caracterizou-se pela transmissão sanguínea, particularmente na subcategoria de usuários de drogas injetáveis (UDI), iniciando um processo simultâneo de pauperização e interiorização da epidemia, ou seja, mais pessoas com baixa escolaridade e de cidades do interior se infectaram. Finalmente, em sua terceira fase (1992 até nossos dias), houve uma explosão no número de casos decorrentes da exposição heterossexual. Isto se traduziu em introdução importante de casos em mulheres, produzindo o que ficou conhecido como feminização da epidemia. Para se ter uma idéia da magnitude deste problema, entre 1994–98, o número de casos de AIDS na população masculina cresceu 10,2%, enquanto na feminina o crescimento foi de 75,3%.

Em relação às subcategorias de exposição, 43,5% são heterossexuais, 21,8% são homo/bissexuais e 12,1% são usuários de drogas injetáveis e os demais fazem parte da proporção de casos notificados sem registro da categoria de exposição.

Neste mesmo período, 1994–98, os casos por exposição heterossexual ao HIV cresceram 113%, enquanto que os de exposição homo/bissexuais aumentaram 8,6%. Isto significa que, hoje, a exposição heterossexual representa a principal subcategoria de exposição ao HIV.

Entre os UDI o decréscimo no número de casos foi de 18%, no mesmo período. As razões para esse declínio foram: mudança do padrão de uso de drogas, ações de prevenção e a alta mortalidade nesse grupo, devido à alta prevalência de UDI HIV+ diagnosticados na primeira metade da década de 1990.

No último trimestre de 2000, no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados 4.075 casos notificados de aids, totalizando 203.353 casos da doença desde 1980. Do total, 151298 (74,4%) são do sexo masculino, e 52.055 (25,6%) do sexo feminino. Também deste total, 7.088 (3,5%) representavam casos em menores de 13 anos.

Entre 1996 a 1998, a taxa de incidência da AIDS manteve-se em torno de 14 casos em cada 100.000 habitantes. A partir de1999, esse número caiu para 11,2/100000 habitantes. Entretanto, devido à problemas de natureza técnica específica do Ministério da Saúde o número pode ser maior.

Entre 1995 a 1999, a taxa de mortalidade diminuiu significativamente devido ao aumento da expectativa de vida do indivíduo soropositivo ou doente de AIDS, a partir da introdução de medicamentos capazes de retardar ou diminuir a ação do HIV. Mas, essa redução não foi homogênea em todas as regiões, nos dois sexos, nas diversas faixas etárias nem relacionadas ao declínio da incidência, já que a epidemia está em crescimento nas regiões Sul e Nordeste e em declínio no Sudeste.

Em todas as regiões houve aumento do número de pacientes jovens, na faixa de 15 a 29 anos. O que reforça a necessidade de conhecermos e aplicarmos as medidas preventivas.