Código de Trânsito Brasileiro
As causas externas – aquelas provocadas por acidentes e agressões - passaram a figurar, a partir da década de 80, entre as principais causas de mortalidade no Brasil. Elas saíram do quarto lugar no início da década, para o segundo lugar, a partir de 1989, superadas apenas pelas doenças do aparelho circulatório. Atualmente, as causas externas representam a segunda maior causa de mortalidade no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que os acidentes de trânsito ocupam o segundo lugar. Só para pagar o atendimento a acidentados e agredidos nos hospitais públicos e conveniados, foram gastos, até agosto, mais de R$ 635 milhões. Esse montante equivale a dez vezes mais que a verba destinada ao programa Alfabetização Solidária.
Dada a gravidade do problema, o novo Código de Trânsito Brasileiro, em vigor desde 1998, impôs maior vigilância nas vias e rodovias de todo o país, multando com valores consideráveis os infratores e somando pontos a cada infração, o que pode levar o motorista imprudente a perder a Carteira Nacional de Habilitação.
Estatísticas da polícia federal demonstram que quando maior é a fiscalização, menor é o número de acidentes. Óbvio? Sim, se pensarmos que perder o salário em multas ou a licença para dirigir assusta. Porém, perder a vida ou um dos sentidos deveria assustar mais que qualquer outra ameaça material.
O Código de Trânsito Brasileiro atuou de maneira eficaz na diminuição de acidentes de trânsitos. Através de multas e penalidades que podem levar o motorista a ficar sem licença para dirigir, o Código traz um conjunto de medidas preventivas, que atuam para a diminuição dos riscos de traumas.
A obrigatoriedade do cinto de segurança e do uso da faixa de pedestres são dois exemplos legais e básicos na prevenção de acidentes. Outro fator que colabora é a Educação para o Trânsito, obrigatória na pré-escola e nas escolas de 1º,2º e 3º graus, mas que por enquanto não saíram das salas dos Centros de Formação de Condutores. Os novos motoristas são obrigados a assistir 30 horas de aulas sobre direção defensiva, legislação no trânsito, primeiros socorros, cidadania e meio ambiente. Também vão para a "escola" os motoristas que perderam o direito de dirigir pelo acúmulo de infrações.
No ano de implantação do novo Código, perderam a vida em acidentes de trânsito 30.394 pessoas. Dessas, cerca de 55% estavam na faixa etária entre os 15 e 49 anos de idade, ou seja, a fase mais produtiva da vida, tanto no trabalho como na família. Depois da efetivação do Código, o número total de óbitos em todas as faixas etárias teve uma redução de 13,31%.
As principais causas de acidentes de trânsito são a bebida e as drogas. Outro fator a ser considerado é a formação deficiente dos condutores pelas auto-escolas. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito, Denatran, as cidades campeãs em número de acidentes de trânsito são Vitória e Boavista, pela falta de sinalização e formação inadequada dos motoristas.

Segundo os Detrans estaduais, a região sudeste é a que tem o maior índice de acidentes de trânsito. É evidente que as áreas urbanas e regiões metropolitanas possuem maior propensão a acidentes.